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Vou e volto – Minha vida após AVC

 

VOU E VOLTO – MINHA VIDA APÓS O AVC
Clay Rienzo Balieiro – São Paulo, São Paulo: 2018

 

Duas Fonoaudiólogas e a Afasia

 

O livro Vou e Volto – Minha Vida Após o AVC não fala sobre afasia. Este é um livro sobre ser afásico.

 

Uma fonoaudióloga pode escrever sobre linguagem e afasia. Mas só uma pessoa afásica pode dizer do cotidiano, da convivência, das perdas, das transformações, dos fracassos, da dor, dos medos, da solidariedade, das conquistas e da empatia com a afasia.

 

A autora deste livro – Clay Rienzo Balieiro – é fonoaudióloga. Com um profundo conhecimento e vasta experiência clínica e acadêmica nas áreas de linguagem e audição, Clay teve um AVC em 2008 e, deste então, é afásica.

 

Este, portanto é um livro sobre ser afásico, escrito por uma fonoaudióloga que se torna afásica.

 

Sabemos que as palavras não caem do céu, mas na prátia, todos nós, mesmo linguistas, fonoaudiólogos, médicos, profissionais da saúde incluídos, afimos como se assim o fosse. As teorias de linguagem, os processos neurofisiológicos envolvidos, as atividades linguístico-cognitivas ficam no papel diante de nosso cotidiano.
Falamos, simplesmente!

 

Mas a complexidade da linguagem em nosso cotidiano – a fala, compreensão, a escrita, a leitura, a gestualidade – é escancarada pela afasia. Não à toa, estudiosos como Freud (1891) e o linguista Roman Jakobson (1954) se debruçaram sobre a afasia para entender o que é linguagem.

 

Clay sabia sobre linguagem e também conhecia a afasia. Mas precisou aprender o que é ser afásica. E decidiu escrever este livro, compartilhar com o leitor sua travessia, seus caminhos de idas e vindas antes e depois da afasia.

 

Clay é barro, dizia uma senhora também afásica. Sim, Clay é barro, que se deixa transformar, mas que também transforma. Acompanhei de perto a escrita do livro da Clay e fui também e transformando à medida que cada palavra ia tomando forma.

 

Este livro não tem um final feliz, tampouco um final triste. Ele não termina. Abre portas e braços para o entendimento, a acolhida e a convivência empática com as pessoas afásicas. E isso não pode ter fim.

 

(Ana Lucia Tubero)


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