Sinais e sintomas de AVC

Saber reconhecer os SINAIS e os SINTOMAS de um AVC pode ser crucial para a tomada de decisões que podem salvar a vida de uma pessoa, diminuindo a gravidade da lesão cerebral e, consequentemente, a gravidade da afasia.

Nem todo mundo conhece ou consegue identificar os SINAIS e SINTOMAS de um AVC. Pessoas que fazem parte de grupo de risco – cardiopatas, hipertensos, diabéticos – ou mesmo profissionais da saúde – médicos, por exemplo – nem sempre conseguem reconhecer tais sintomas e sinais.

Foi o que ocorreu com um médico anestesista diante de uma alteração visual conhecida como diplopia: ele foi dormir, esperando que tudo estivesse bem na manhã seguinte.

O Anestesista e a Diplopia

Sábado à noite, depois da pizza e do vinho, Lauro, médico anestesista, adormeceu na sala de sua casa. Quando despertou, ainda de madrugada, sentiu-se estranho e com a visão dupla. Foi para o quarto, não contou nada para a esposa – também médica – e dormiu novamente. Na manhã seguinte levantou-se e persistiam os sinais de diplopia. Ao fazer a barba, tentou usar o barbeador na posição invertida. Já apresentava dificuldades de fala. Só então foi levado para o hospital. Lauro sofreu um AVCI com sequela de afasia. Tinha uma cardiopatia que desconhecia. Fazia parte do grupo de risco e não identificou o problema de visão como um sintoma de AVC.

IDENTIFICANDO E RECONHECENDO OS SINAIS E SINTOMAS DE AVC:

  • Alteração da sensibilidade (adormecimento, formigamento) em face, braços ou pernas (especialmente em um lado da face ou do corpo): hemiparestesia
  • Diminuição da força muscular (fraqueza) ou paralisia em face, membros ou em todo um lado do corpo: hemiparesia ou hemiplegia
  • Dificuldade para falar ou para compreender a fala de outras pessoas: afasia, disartria
  • Alterações visuais em um ou nos dois olhos: visão dupla (diplopia), perda da visão
  • Tontura e alterações da marcha como dificuldade para andar, com perda de equilíbrio ou de coordenação
  • Diminuição ou perda do estado de consciência (desmaio), crise convulsiva, náusea e vômito
  • Dor de cabeça intensa e súbita sem causa específica
  • Dificuldade de deglutição: disfagia

A possibilidade de identificar e reconhecer os Sinais e Sintomas de AVC permite a ação eficiente dentro das “janelas” de oportunidades terapêuticas (terapia trombolítica), reduzindo significativamente a gravidade das sequelas. Se a pessoa consegue chegar ao hospital a tempo de receber um trombolítico, que irá diminuir ou “desmanchar” o trombo, restaurando o fluxo de sangue, as sequelas do AVC – como a afasia – podem ser bem menos graves.

Foi o que aconteceu com Artur. Diabético, hipertenso e acima do peso ideal, Artur fazia parte do grupo de risco de AVC. Sua esposa identificou em sua fala esquisita um sintoma de AVC. E saiu correndo com ele do restaurante para o hospital. Leia seu depoimento.

Depoimento da esposa de um afásico

Estávamos em um restaurante após um dia normal de trabalho, quando o Artur sentiu dificuldade em expressar qual era o prato que queria comer. Ele sempre tomava guaraná, mas pediu “uma branquinha”. Pensamos que ele estivesse brincando. Quando o garçom trouxe a pinga, Artur ficou confuso. Achou que estávamos brincando com ele. Ele não sentiu dor, a pressão não subiu, o diabetes estava controlado, não houve paralisação motora. A única dificuldade era no falar. Como percebemos que havia algo diferente, pois perguntando a ele as coisas mais básicas como por exemplo, seu nome, que dia era, ele já não sabia responder, resolvemos levá-lo ao hospital. Mas ele tinha consciência da situação, pois no trajeto até o hospital ele repetia que estava com fome (como bom gordinho que é) e que estava chateado por ter “atrapalhado” o jantar. Mas era enfático em dizer que não estava sentindo nada e que não sabia explicar o que estava acontecendo. Bem, o restante você já sabe o desfecho. Porém quero salientar que o fato de ele ter sido socorrido logo após, dentro do período crítico (se não estou errada é de 3 horas) é que proporcionou a ele uma recuperação mais rápida.

Quando a pessoa não faz parte do grupo de risco para AVC – ou pelo menos desconhece qualquer problema que a colocaria no grupo de risco – a identificação e o reconhecimento dos sinais e sintomas de AVC é ainda mais complicado. 

Renato, por exemplo, esportista e sem histórico de hipertensão ou diabetes, diante da dor de cabeça, perda de visão, vômito e alterações da fala, procurou atendimento hospitalar. O diagnóstico foi enxaqueca, mas Renato estava tendo um AVC. Leia a seguir o depoimento de Renato:

“Eu sou engenheiro eletricista, tenho 48 anos, nunca tive histórico de hipertensão ou de diabetes, sempre frequentei um clube para praticar atividades físicas, como corrida de 10 Km. Em abril de 2005, durante uma semana eu tive uma leve dor de cabeça – suspeitei de sinusite. Após isso, tive perda da visão do olho direito por vinte minutos, que voltou ao normal, mas me senti mal, vomitei e não conseguia elaborar frases, só palavras soltas. Resolvi ir para o hospital. No hospital, eu fui diagnosticado com enxaqueca e medicado, permanecendo ali por quatro horas. Ao sair do hospital, no percurso de volta para casa, tive uma convulsão. Fui então levado a outro hospital, e só aí foi diagnosticado um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI). Fiquei afásico. Após um ano, sem saber as causas do AVC, já que eu não apresentava nenhum fator de risco para AVC, meu médico neurologista indicou a avaliação de um médico hematologista, que identificou uma alteração em meu sangue, mais especificamente na hemoglobina, que pode causar trombose. Desde então, faço uso constante de anticoagulante e exames de sangue mensais para prevenir um outro AVC. Meus dois filhos também fizeram uma avaliação com o médico hematologista para avaliar a presença ou não dessa mesma alteração na hemoglobina. Após cinco anos do AVC fui aposentado por invalidez.”

Renato sempre teve hábitos de vida adequados, não fumava ou bebia, não tinha histórico de hipertensão ou de diabetes ou outro fator de risco para AVC e fazia atividade física com frequência, mas apresentou alguns sinais que poderiam ou não indicar a ocorrência de um Acidente Vascular Cerebral, como: dor de cabeça, perda da visão, vômito e alterações na fala. Esses sinais poderiam ser apenas indicações de um mal estar, mas somados podem apontar a possibilidade de ocorrência de um AVC.

Acidente Vascular Cerebral é sempre uma emergência médica. Diante de qualquer sinal ou sintoma, a pessoa deve imediatamente procurar ou ser encaminhada para atendimento hospitalar. Trombolíticos e anticoagulantes – como foi no caso de Artur e poderia ter sido nos casos de Renato e de Lauro – podem diminuir a extensão dos danos. A cirurgia pode ser indicada para retirar o coágulo ou êmbolo, aliviar a pressão cerebral ou revascularizar veias ou artérias comprometidas.


Para saber mais, leia  » Causas da Afasia: Traumatismo Cranioencefálico – TCE

 

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