Causas da Afasia: Traumatismo Cranioencefálico – TCE

 

As histórias narradas a seguir não foram inventadas. Infelizmente, são todas reais. Todos sofreram Traumatismo Cranioencefálico. Todos sobreviveram. Todos tiveram sequelas neurológicas importantes e, entre elas, a Afasia.

Imagine-se saindo de um churrasco no sítio de um amigo com sua família. Você bebeu um pouco, esqueceu de colocar o cinto de segurança. Na estrada, surge um cavalo no meio da pista. Você não consegue desviar e atropela o animal. Você é jogado contra o para-brisa do carro e bate a cabeça. Você entra no hospital andando e falando, preocupado com seu filho. Dali a alguns minutos você não resiste ao traumatismo cranioencefálico sofrido. Serão vários meses até você sair do coma.
 
Imagine-se agora saindo de um jogo de futebol com os amigos. Você está dirigindo e entra no carro com seu irmão e mais dois amigos. Suado, resolve não colocar o cinto de segurança. Você bate o carro e é o único a sofrer um traumatismo cranioencefálico.
 
Você está indo com os amigos para uma balada. É julho, você acabou de passar no vestibular. Você pega uma carona na caçamba da caminhonete de um desconhecido. Só que o motorista havia bebido e dirige em alta velocidade. A caminhonete capota e você é jogado no meio da rua. Você sofre um traumatismo cranioencefálico e fica afásico.
 
Você está jogando bola com seus amigos na piscina do clube. A bola cai fora da piscina. Você sai todo molhado para pegar a bola e se apoia na grade que cerca a piscina. É época de Natal e a grade está toda enfeitada com luzinhas natalinas. Você leva um choque elétrico e sofre uma parada cardíaca. Seu cérebro sofre com a falta de oxigenação. Ao sair do coma, você não consegue nem andar, nem falar.
 
Você acabou de fazer um churrasco. Tomou várias caipirinhas. Quer ir tirar uma soneca, mas seu filho de 8 anos quer dar uma volta de bicicleta pelo condomínio. Você pensa: é só uma voltinha, não precisa de capacete. Você sai com seu filho, cada um em uma bicicleta. Você se desequilibra, cai e bate a cabeça na guia da calçada do condomínio. O traumatismo cranioencefálico que você sofre traz dificuldades para falar e para escrever.
 
Acaso, destino, azar, fatalidade. Como prevenir o Traumatismo Cranioencefálico? Como evitar bater a cabeça em quedas, traumas, acidentes de carro, de moto ou de bicicleta? Como prevenir acidentes de trabalho, afogamento, choque elétrico? Como evitar a violência pessoal que se traduz em ferimentos na cabeça com armas de fogo ou armas brancas tipo facas? Como lidar com o imponderável?
 
Sem o cérebro, nada funciona. Sem o cérebro, não andamos, não falamos, não entendemos o que as pessoas falam, não comemos. Mesmo uma pequena lesão no cérebro pode ter consequências graves. Apesar dos ossos do crânio – espessos e duros – protegerem o cérebro, fortes golpes ou quedas podem afetar tanto o crânio como o cérebro e os vasos sanguíneos que o irrigam, causando um Traumatismo Cranioencefálico ou TCE.
 
 

O Traumatismo Cranioncefálico (TCE) pode levar à morte e também pode causar sequelas neurológicas importantes – motoras, cognitivas e de linguagem – sendo superado apenas pelo Acidente Vascular Cerebral (AVC) como patologia neurológica com maior impacto na qualidade de vida das pessoas.

As lesões cerebrais causadas pelo TCE podem ocorrer em todas as faixas etárias, sendo mais comuns em adultos jovens, na faixa entre 15 e 24 anos. A incidência é três a quatro vezes maior nos homens do que nas mulheres. Os acidentes de trânsito são a principal causa de lesão cerebral no TCE vindo em seguida a violência contra a pessoa (agressões, ferimentos com armas de fogo, etc.).

“... acidentes de trânsito no Brasil ... é causa é ... é ... é muitas dificuldades é ... é ... é ... causa muitos é ... é tem afasia porque não tem prevenção a ... a ... a prevenção do acidente de trânsito ... (...) porque o jovem dirigindo ... tudo bem ... tem que dirigir. Mas quando acontece acidente ... aí tem o derrame cerebral ... aí aí aí que acontece a família toda ... se ... vai saber” (Tese ALT, 231-232)

 

Vários são os mecanismos responsáveis pelo TCE: podem ocorrer contusões, perfurações, fraturas de crânio, movimentos bruscos de aceleração e desaceleração da cabeça, estiramento da massa encefálica, dos vasos intracranianos e das meninges (membranas que revestem o cérebro) que causam lesões no cérebro.

As lesões cerebrais ou encefálicas causadas por TCE podem ser classificadas em primárias e secundárias. As lesões primárias são o resultado direto do impacto, e geralmente estão presentes já no momento do acidente. As lesões secundárias são progressivas e ocorrem como consequência de hematoma, edema, isquemia ou hipóxia, podendo levar a lesões neurológicas tardias.

O tecido cerebral pode ser lesado diretamente no lugar do impacto (lesão por golpe), ou em pontos diametralmente opostos ao impacto (lesão por contragolpe).

As porções inferiores dos lobos frontais e temporais do cérebro são as áreas mais afetadas pelas lesões por contragolpe, pois os ossos da base do crânio, sobretudo nas fossas temporal e frontal, apresentam superfícies rugosas, cheias de acidentes anatômicos que “machucam” o cérebro.


Para saber mais, leia » TCE e Afasia: Sinais e Sintomas e Prevenção.

 

 

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