Causas da Afasia: Acidente Vascular Cerebral - AVC

Acidente Vascular Cerebral (AVC) se caracteriza pelo aparecimento repentino de um problema neurológico focal – perda de movimentos, perda da fala, alterações visuais – determinado por uma lesão cerebral secundária à alteração do fluxo de sangue no cérebro.

 


O cérebro é totalmente dependente do oxigênio transportado pelo sangue para funcionar adequadamente. A alteração do fluxo sanguíneo em determinada área do cérebro pode levar à diminuição ou interrupção da atividade neurológica funcional desta área e pode causar lesões cerebrais de diferentes extensões e gravidades, temporárias ou permanentes, comprometendo de forma repentina as funções neurológicas como linguagem, memória, movimento, etc.

 

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AVC pode ser causado por dois mecanismos vasculares diferentes: a oclusão (entupimento, bloqueio ou obstrução) de um vaso sanguíneo e a ruptura (rompimento, sangramento) de um vaso.

 

 

Há, portanto, dois tipos de AVC: o AVC isquêmico e o AVC hemorrágico.

 

CAUSAS DA AFASIA: AVC ISQUÊMICO - AVCI

 No AVC Isquêmico ocorre falta de oxigênio no cérebro com a redução do fluxo de sangue cerebral por bloqueio ou obstrução de um vaso sanguíneo que irriga o cérebro, o que causa a lesão. 

 

Quando o tecido cerebral é privado dos nutrientes – principalmente do oxigênio – indispensáveis ao metabolismo de suas células (isquemia), ocorre um sofrimento celular que, conforme sua intensidade, leva à alteração das funções neurológicas. Se a privação for de curta duração – menos de 24 horas – os sintomas como alterações na visão, dificuldades para falar, formigamento ou adormecimento de um membro ou parte do corpo etc., aparecem e regridem rapidamente: a alteração é considerada reversível e o AVC é chamado de Acidente Isquêmico Transitório (AIT). Quando a isquemia persiste para além desse período de 24 horas, podem ocorrer lesões definitivas e irreversíveis do cérebro que caracterizam o Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI).

AVCI pode ocorrer por trombose cerebral ou por embolia cerebral.

CAUSAS DA AFASIA NO AVCI: TROMBOSE E EMBOLIA CEREBRAL

Um AVCI é trombótico quando o processo patológico responsável pela oclusão do vaso se desenvolve no próprio local da oclusão. A trombose cerebral pode ser definida pela formação ou desenvolvimento de um coágulo de sangue ou trombo no interior das artérias cerebrais ou de seus ramos. Os trombos resultam da aderência e agregação plaquetária, de alterações na coagulação do sangue, que fica mais grosso. A trombose pode ocorrer nas artérias (trombose arterial) e nas veias (trombose venosa). A trombose arterial é a mais frequente e resulta, portanto, da presença de coágulos ou trombos que, aderidos à parede da artéria, impedem a passagem total ou parcial do sangue.

embolia cerebral é um processo em que a oclusão da artéria se dá por um corpo estranho –coágulo ou êmbolo – que se solta do coração ou da parede do vaso em que se originou e que viaja pela corrente sanguínea, se deslocando até as artérias cerebrais. Estes coágulos circulam dentro dos vasos sanguíneos e, ao encontrar um vaso mais estreito ou uma placa de gordura (ateroma), entopem a artéria, interrompendo a circulação do sangue. O ateroma ou placa de gordura ocorre devido ao acúmulo de colesterol nas paredes das artérias, causando um estreitamento ou estenose da artéria (processo conhecido como aterosclerose).

A formação de êmbolos está associada a doenças cardiovasculares (fibrilação atrial, arritmia, etc.).

 

 

Em indivíduos jovens, a ocorrência de êmbolos está geralmente associada à predisposição de condições patológicas tanto familiares como adquiridas.

CAUSAS DA AFASIA: AVC HEMORRÁGICO – AVCH

No AVC Hemorrágico – o popular Derrame – ocorre extravasamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos cerebrais (sangramento) devido à ruptura do vaso sanguíneo como, por exemplo, nos casos de aneurisma cerebral (dilatação ou malformação arterial), desencadeado geralmente por hipertensão arterial.

 

 

Quando ocorre a ruptura de um vaso, o sangue pode “derramar” para o interior do cérebro, provocando uma hemorragia intracerebral, ou pode ir para o espaço cheio de fluído entre o cérebro e a membrana que recobre o cérebro (membrana aracnoide), provocando uma hemorragia subaracnóidea.

hemorragia intracerebral provoca uma lesão (hematoma cerebral) que leva a sinais e sintomas neurológicos secundários.

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Na hemorragia subaracnóidea, ao contrário, não se observam sinais de sofrimento cerebral, somente se houver complicações posteriores.

AVC Hemorrágico (AVCH) está relacionado essencialmente à Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS – doença mais conhecida como pressão alta. O aumento crônico da pressão nas artérias leva a uma fragilização ou enfraquecimento das paredes arteriais, resultando em sua ruptura e consequente hemorragia.

CAUSAS DA AFASIA: A INCIDÊNCIA DE AVC

A ocorrência de AVC é maior nos adultos idosos, com a incidência prevalecendo entre os 70 e os 80 anos da vida. Isto ocorre porque é mais comum os adultos idosos apresentarem alterações cardiovasculares como pressão alta e alterações metabólicas como Diabetes Mellitus (DM), associadas à idade e a outros fatores que aumentam o risco de AVC como tabagismo, doenças crônicas e sedentarismo.

“Noventa por cento acredita que não pode prevenir ... eu acredito que pode prevenir sim! (...) É! Porque não prevemos ... por que não prevenimos? Bebia ... fumava ... tudo!” (Tese ALT, 234)  

“Diabete tem cura (...) é ... e e se tem al é pre pressão alta ... ta ... va ... exame de sangue faz um ano ... faz cada seis meses!” (Tese ALT, 233)

EF: //faz gesto de “fumar cigarro”// (...) muito //mostra os cinco dedos da mão//

IP: //mostra os cinco dedos da mão// cinco maços?

 EF: //confirma com a cabeça// 

IP: nossa! //leva as duas palmas da mão à face, uma em cada bochecha// não acredito! (...) parar (Tese ALT, 66-67)

Mas estudos recentes apontam que também nos adultos jovens o AVC pode ocorrer associado a vários fatores de risco: distúrbios de coagulação, doenças inflamatórias e imunológicas, uso de drogas, cardiopatias congênitas, pressão alta (HAS), diabetes (DM).

Em um estudo realizado por Zétola em 2001, na Universidade Federal do Paraná, que analisou 164 casos de AVC em pacientes jovens (entre 15 e 49 anos de idade), a análise epidemiológica revelou 141 pacientes com AVCI (acidente vascular cerebral isquêmico), 16 pacientes com AVCH (acidente vascular cerebral hemorrágico) e 7 pacientes com trombose venosa com os seguintes fatores de risco prevalentes: pressão alta (HAS), tabagismo, alterações do colesterol (dislipidemia) e diabetes (DM). E os seguintes fatores de risco associados: consumo de álcool e cocaína e uso de contraceptivos orais (CO).

Na infância, as causas mais comuns de AVC isquêmico são a cardiopatia congênita, os distúrbios hematológicos (como a anemia falciforme, a hemofilia) e a infecção do Sistema Nervoso Central (como a meningoencefalite). Já a causa mais frequente do AVC hemorrágico na infância são as malformações arteriovenosas, entretanto, é pouco frequente a ruptura de aneurismas cerebrais. A recuperação do AVC em crianças é melhor do que em adultos pela maior capacidade de recuperação funcional dada pela plasticidade cerebral.


Para saber mais, leia » AVC e Afasia: Fatores de Risco e Prevenção

 

 

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