AVC e Afasia: Fatores de Risco e Prevenção

Não há uma relação causal direta entre os FATORES DE RISCO que podem causar um AVC e a AFASIA. Portanto, não há como prevenir diretamente a AFASIA, mas há como prevenir e controlar os fatores de risco que podem levar a um AVC.

O senhor Manuel (afásico participante do Centro de Convivência de Afásicos da Unicamp – CCA) acha que não é possível prevenir a afasia:

“Não! Não … não dá pra prevenir porque eu deitei … dormi … aqui //mostra a sua perna direita// … //leva a mão em direção à boca// afasia … não teve … não tem cabimento … eu deitei e … afasia”

Mas Cícero (também afásico participante do CCA) tem uma opinião diferente:

Podemos prevenir a afasia … eu creio que sim! Por quê? A é … é … é … é … sangue né? Noventa por cento é problema de sangue tá? Se houvesse um exame de sangue é … é … é todo ano … a gente saberia prevenir a afasia … de de acordo com o sangue (1s) é … é … é problemas de coração … problemas de é …é …é … alta a … a … é é hipertensão … problemas de … né? Controla e evita afasia porque depois que tem afasia … depois que dá … dá o derrame aí que … aí //faz gesto de “acabar”//.

AVC E AFASIA: PREVENÇÃO E FATORES DE RISCO

Se não é possível prevenir diretamente a AFASIA é possível prevenir o AVC. E para isso, acreditamos ser fundamental conhecer os FATORES DE RISCO de AVC como também saber identificar os SINAIS e SINTOMAS de AVC.

 

FATORES DE RISCO DE AVC

Entre os FATORES DE RISCO DE AVC existem aqueles que podem ser controlados e modificados pela pessoa. Mudar a dieta, alguns hábitos alimentares, praticar exercícios, parar de fumar ou de beber são sempre alternativas e possibilidades que dependem da vontade do indivíduo de querer mudar. Outros fatores como a idade e a história familiar, entretanto, não podem ser modificados.

Os FATORES DE RISCO DE AVC são:

  • HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA – HAS (Pressão alta)
  • COLESTEROL ELEVADO (HIPERLIPIDEMIA)
  • TABAGISMO (FUMO)
  • DIABETES
  • CARDIOPATIAS (DOENÇAS DO CORAÇÃO)
  • OBESIDADE
  • VIDA SEDENTÁRIA
  • INGESTÃO ABUSIVA DE ÁLCOOL (ETILISMO ou ALCOOLISMO)
  • ESTRESSE
  • IDADE
  • HISTÓRICO FAMILIAR

 

Por que a HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (pressão alta) é um fator de risco de AVC?

A hipertensão arterial ou pressão alta é o principal fator de risco para o AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico. Pessoas com hipertensão arterial têm chances de quatro a seis vezes de terem um AVC do que as pessoas não hipertensas. Ao longo do tempo, a hipertensão leva à aterosclerose (doença inflamatória crônica que leva à obstrução das artérias pelo acúmulo de lipídeos – gorduras, principalmente colesterol – em suas paredes) e ao enrijecimento das artérias. Isso, por sua vez, pode levar a bloqueios ou obstruções de vasos sanguíneos e também ao enfraquecimento das paredes das artérias, o que pode resultar em ruptura (sangramento).

O risco de AVC é diretamente proporcional aos níveis de pressão arterial: quanto mais alta a pressão arterial, maior o risco de AVC.

Normalmente, o sangue bombeado pelo coração exerce uma força contra a parede das artérias. A marca registrada da pressão alta é, em última análise, o aumento da resistência vascular. Quando a força que esse sangue precisa fazer está aumentada, ou seja, as artérias oferecem resistência para a passagem do sangue, dizemos que há hipertensão arterial, ou popularmente pressão alta.

Os órgãos-alvo da hipertensão são o coração (risco de cardiopatia como a insuficiência cardíaca ou infarto do miocárdio), o cérebro (risco de AVC – acidente vascular cerebral), vasos e rins (insuficiência renal).

Quando houver um aumento no volume de sangue a ser ejetado, por exemplo quando os rins não funcionam normalmente, ou quando o coração contrai de modo insuficiente, ou quando a frequência cardíaca aumenta e o coração bate mais vezes por minuto para ejetar um determinado volume de sangue, ou quando a resistência oferecida pelas artérias para a passagem do sangue estiver aumentada, ocorre aumento da pressão arterial.

Outra possibilidade é as artérias de maior calibre perderem sua flexibilidade normal e tornarem-se rígidas, de modo que elas não conseguem expandir para permitir a passagem do sangue bombeado pelo coração. Assim, o sangue ejetado em cada batimento cardíaco é forçado através de um espaço menor que o normal e a pressão arterial aumenta.

 

Por que a HIPERLIPIDEMIA (colesterol alto) é um fator de risco de AVC?

Os níveis elevados de colesterol no sangue podem contribuir para a aterosclerose, doença inflamatória crônica que leva à obstrução das artérias pelo acúmulo de lipídeos (gorduras, principalmente colesterol) em suas paredes.

O colesterol é uma substância gordurosa encontrada na corrente sanguínea e em todas as células. O corpo produz colesterol que é necessário para formação das membranas das células e dos hormônios. Mas alguns alimentos contêm grande quantidade de colesterol. Altas taxas de colesterol podem aumentar o risco de AVC indiretamente, aumentando o risco de doenças cardíacas que por sua vez são importantes fatores de risco para AVC. Além disso, a formação de placas de gordura nas artérias carótidas pode causar bloqueio do fluxo de sangue para o cérebro e assim causar um AVC isquêmico.

Por que o TABAGISMO (FUMO) é um fator de risco de AVC?

 

tabagismo tem sido associado ao acúmulo de gordura na carótida, a principal artéria que irriga o cérebro, e ao consequente entupimento desta artéria. A nicotina presente no cigarro eleva a pressão arterial e o monóxido de carbono reduz a quantidade de oxigênio no sangue. Além disso, o fumo pode causar a perda de elasticidade das artérias, com endurecimento das paredes arteriais – processo conhecido como arteriosclerose – e também pode tornar o sangue mais grosso e com maior chance de coagular, aumentando o risco de entupimento das artérias.

 

Por que o DIABETES é um fator de risco de AVC?

O diabetes mellitus é uma doença causada por uma produção inadequada de insulina, que é um hormônio cuja função principal é transportar glicose do sangue para dentro das células. Dessa forma, o paciente com diabetes mellitus tipicamente apresenta um aumento na glicemia (que é a glicose medida no sangue).

O Diabetes provoca aumento de lipídeos (gorduras) no sangue, isto é, aumenta a concentração do colesterol LDL (mau colesterol) e dos triglicérides e reduz a concentração do colesterol HDL (bom colesterol). Portanto, o risco de AVC nos diabéticos é particularmente sensível a alterações nos níveis dos lipídeos e da pressão arterial.

Além do risco de AVC, as alterações causadas pelo Diabetes também contribuem para um maior risco de doenças cardíacas.

 

Por que as CARDIOPATIAS são um fator de risco de AVC?

As doenças do coração (cardiopatias), especialmente as que produzem arritmias (batimentos cardíacos desregulados), aumentam o risco de AVC. As arritmias provocam um fluxo sanguíneo irregular e facilitam a formação de coágulos sanguíneos dentro do coração, que podem chegar pela circulação nos vasos do cérebro, diminuindo ou bloqueando o fluxo sanguíneo, e causando um AVC.

Algumas doenças do coração que aumentam o risco de AVC são infarto, fibrilação atrial, doença nas válvulas, cardiopatia chagásica (Doença de Chagas).

 


Por que a OBESIDADE é um fator de risco de AVC?

A pessoa com excesso de peso tem uma maior probabilidade de ter um AVC ou doença cardíaca, mesmo na ausência de outros fatores de risco. A obesidade exige maior esforço do coração e está relacionada com doença das coronárias, pressão arterial alta, colesterol elevado e Diabetes.

 

Por que o SEDENTARISMO é um fator de risco de AVC?

Exercícios regulares e moderados ajudam a prevenir doenças cardíacas e AVC. A atividade física também ajuda a controlar o colesterol, a Diabetes e a obesidade e também a diminuir a pressão arterial em alguns pacientes.

Portanto, o sedentarismo é um fator de risco para doenças cardiovasculares e, consequentemente, para AVC.

 

Por que a ingestão abusiva de álcool (ETILISMO ou ALCOOLISMO) é um fator de risco de AVC?

Embora o consumo regular de pequenas quantidades de álcool esteja associado a uma menor incidência de doenças cardiovasculares por, por exemplo, aumentar os níveis de colesterol HDL, existem ainda controvérsias sobre o efeito protetor do consumo regular de álcool sobre a doença arterial coronariana (DAC), o acidente vascular cerebral (AVC) e a morte cardiovascular.

Porém não há dúvidas de que o consumo abusivo de álcool é um fator de risco para a ocorrência de AVC. O álcool em grandes quantidades aumenta a pressão arterial, e a hipertensão arterial é o principal fator de risco de AVC. O álcool em demasia também pode levar a um aumento de homocisteína, uma substância ligada à arteriosclerose (perda de elasticidade e endurecimento das paredes internas das artérias).

Indivíduos que bebem mais de três doses de bebidas alcoólicas por dia podem correr o risco de sofrer acidentes vasculares cerebrais (AVC) com uma antecedência de quase 15 anos em comparação com as pessoas que não fazem uso abusivo de álcool.

 

Por que o ESTRESSE é um fator de risco de AVC?

Normalmente, diante de situações estressantes, cada pessoa reage de diferentes maneiras produzindo diferentes respostas psicológicas, emocionais, físicas e hormonais para lidar com o evento estressante. Quer o estresse seja agudo – de curta duração e alta intensidade, como problemas no trânsito – ou crônico – de intensidade oscilante e relacionado a aspectos emocionais e afetivos, como problemas na família ou no trabalho – ele é considerado um fator de risco indireto de AVC, pois níveis elevados de estresse podem elevar a pressão arterial e, associado a outros fatores de risco, o estresse pode levar ao AVC. Mesmo pessoas com baixos níveis de estresse, ansiedade e depressão correm um risco maior de sofrer um AVC quando o estresse está associado a outros fatores de risco, como, por exemplo, o Diabetes.

 

Por que a IDADE é um fator de risco de AVC?

A idade é um importante fator de risco para a ocorrência de AVC. O risco de AVC aumenta em 2 vezes a cada 10 anos, a partir dos 55 anos.

Os vasos sanguíneos perdem a flexibilidade e ficam rígidos com o envelhecimento, o que gera uma pressão crescente sobre o sistema cardiovascular do corpo.

 

Por que o HISTÓRICO FAMILIAR é um fator de risco de AVC?

Indivíduos de raça negra e do sexo masculino apresentam maior incidência de AVC em comparação àqueles de raça branca ou do sexo feminino, respectivamente. Estes são fatores de risco de AVC que não podem ser modificados ou controlados. O mesmo ocorre com o histórico familiar: os indivíduos com história familiar de AVC (especialmente os parentes de primeiro grau) têm cerca de 2 vezes mais chance de ter um AVC, independentemente de outros fatores de risco.

 

CONTROLANDO E DIMINUINDO OS FATORES DE RISCO DE AVC

Controle a pressão arterial e o nível de açúcar no sangue. Hipertensos e diabéticos exigem tratamento e precisam de acompanhamento médico permanente. Pessoas com pressão e glicemia normais raramente têm derrames.

 

Mude seus hábitos alimentares e adote uma dieta equilibrada, reduzindo a quantidade de açúcar, doces, massas, gordura, sal e bebidas alcoólicas. Às vezes pode ser necessário o uso de medicações hipoglicemiantes. Siga sempre a orientação médica.

Procure manter abaixo de 200 o índice do colesterol total. Às vezes, só se consegue esse equilíbrio com medicamentos. Não os tome nem deixe de tomá-los por conta própria. Ouça sempre a orientação de um médico.

 

Não fume. Está provado que o cigarro é um fator de alto risco para acidentes vasculares.

 

Estabeleça um programa regular de exercícios físicos. Faça caminhadas de 30 minutos diariamente.

Informe seu médico se em sua família houver casos de familiares com doenças cardíacas e neurológicas como o AVC.

Procure distrair-se para reduzir o nível de estresse. Encontre os amigos, participe de atividades culturais, comunitárias, etc.


Para saber mais, leia » AVC em mulheres

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