Afasia: o que é?

Ninguém nasce afásico. A pessoa se torna afásica após um Acidente Vascular Cerebral, um tumor no cérebro, um traumatismo cranioencefálico, uma anóxia ou hipóxia cerebrais (ausência ou diminuição drástica da oxigenação cerebral).

Assim, Guilherme, aos 14 anos, tornou-se afásico após ter sofrido uma parada cardiorrespiratória em consequência a um choque elétrico que levou ao sair da piscina do clube para pegar uma bola e tocar a grade enfeitada com luzinhas de Natal. Com dificuldades de escrita e leitura, não conseguiu retomar a escola.

Da mesma forma, Orlando, poliglota falante de 6 línguas, tornou-se afásico após sofrer um Acidente Vascular Cerebral por ocasião de sua aposentadoria. Tinha planos de montar um café. Na juventude, foi um atleta campeão de remo pelo Clube Floresta em São Paulo. Fumou muito ao longo de sua vida.

Cida, uma senhora dinâmica dedicada à família, tornou-se afásica aos 75 anos após sofrer um Acidente Vascular Cerebral consequente à cardiopatia.

Victória, aos 7 anos, estava brincando na piscina de um hotel cujo equipamento era dotado de um sistema elétrico de bombeamento de água sob pressão. Victória levou um choque. Quando sua mãe percebeu que Victória se afogara, fez todos os procedimentos para resgatá-la. Entretanto, o cérebro de Victória sofreu sem oxigênio e ela se tornou afásica.

Clay estava dando aula na Universidade quando sentiu uma forte dor de cabeça. Levada para o hospital, sua pressão arterial estava superior a 20. Clay sofreu um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico e tornou-se afásica.

Paulo acabara de passar no vestibular para Engenharia Mecânica em uma faculdade paulista e estava em sua cidade natal durante as férias de julho. Para ir a um churrasco, Paulo pegou carona na caminhonete dirigida por um desconhecido que havia bebido. Paulo estava na caçamba da caminhonete. O motorista perdeu o controle do veículo. Paulo foi lançado à distância e sofreu um traumatismo cranioencefálico. Tornou-se afásico.

Cícero, participante do grupo de afásicos do Centro de Convivência de Afásicos da Unicamp, formado em Administração de Empresas e Contabilidade, era “especialista em qualidade” e ministrava palestras a funcionários de empresas. Sofria de uma cardiopatia conhecida como Doença de Chagas que foi a causa de um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico. Cícero tornou-se afásico aos 45 anos:  

“Eu subi às às seis horas da manhã né? Eu falei que eu e aguei as planta tudo... fui dormir. Aí aí aí eu tive derrame cerebral né? Mas eu acordei às oito horas da manhã. Era questão de minutos! De segundos! (...) às oito! Tentei acordar... tentei acordar... tentei acordar! Duas horas que eu já tinha... (...) aí... ó! Eu não falava nada! demorou três meses pra mim conse começar a falar” (Tese ALT, 127-128)

Manuel, participante do grupo de afásicos do Centro de Convivência de Afásicos da Unicamp, questiona a possibilidade de prevenção da afasia ao relatar como tornou-se afásico: 

“Não! Não... porque eu deitei... dormi... aqui //toca sua perna direita// ... //leva a mão em direção à boca // afasia. Não teve... não tem cabimento. Eu deitei e... afasia” (Tese ALT, 228)

Bia, psicóloga que cuidava de bebês com Síndrome de Dow, tornou-se afásica aos 40 anos após ruptura de aneurisma cerebral.

São muitas as histórias de pessoas com afasia. Com elas aprendemos que as “palavras não caem do céu” e também descobrimos que falar é muito complicado e sofisticado, e torna-se um grande desafio diante da afasia.

A história de Beatriz com a afasia

A Bia é da paz, mas é uma guerreira. É ela quem nos explica o que é a afasia, compartilhando de forma generosa sua vivência e nos ensinando que o afásico levará sempre consigo sua história com a afasia, não como um fardo, mas como um aprendizado. 


A história de Durmeval Trigueiro: um site contando a experiência de Durmeval com a afasia

» Site Durmeval Trigueiro Mendes


Para saber mais, leia » Como falam os afásicos? – A semiologia das Afasias

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