Afásicos: Avaliação e Reabilitação

Ele está com afasia. Ela ficou afásica. Clay, fonoaudióloga que ficou afásica após um AVC, conta como, ainda no hospital, escutou de seu amigo médico: ela está com afasia. Clay pensou: Afasia? Eu sei o que é isso. Mas eu? Comigo não! Não é possível!

Às vezes é o próprio afásico, mas geralmente é alguém da família quem recebe a notícia dada pelo médico: Afasia. A vida vai mudar com a afasia. A vida do afásico e a de sua família, as relações profissionais, o grupo de amigos.

Embora não exista nenhum remédio, medicamento ou cirurgia para o tratamento das afasias, há melhora. E reabilitação. Não se avalia nem se reabilita a afasia em si, mas sim, a linguagem do afásico. Portanto, como diz o afásico CI, participante do CCA (Centro de Convivência de Afásicos – Unicamp), na avaliação e na reabilitação, cada afásico é único:

“cada um ... cada um ... particularmente ... tem ... é ... é ... tem uma experiência própria! (...) ... cheio de estória ... parecidas ... parecidas ... comigo ... com ele ... com ela (...) parecidas ... mas é própria ... cada um é uma própria! Por que ... essa particularidade? ... porque as pessoas são diferente!” (Tese Ana Lucia Tubero, página 215).

“afasia ... a afásico é ... é ... é ... não fala né? Pronto ... não tem como mudar ... não tem como arrancar (...) aí afásico fala e outro afásico ... depois ... com o tempo ... fala normalmente (...) com o tempo muda ... porque eu não falava! Então tava num grau ... (...) grave! (...) aí ... comecei a falar: grau ... médio! (...) hoje eu estou num grau ... tô ... //faz gesto de “mais ou menos” com a mão// (...) é ... é ... e ... terceiro grau ... eu quero voltar a (...) é ... é ... é ... melho ... eu dava palestra e tal ... eu tinha bom português ... eu quero voltar a estar estudando e tal ...” (Tese ALT, 131-132).

“ela (esposa) sabe o que que é afasia ... então ela escreveu: ‘é a dificuldade de se expressar//lendo// (...) achei boa ... porque ... porque ela disse que tem que expressar ... porque afásico tem ... vários graus de afásico né? Tem vários graus: tem afásico é ... é ... fica mudo ... né ... (...) é afásico! Fala pouco ... é afásico! Fala muito ... é afásico também! (...) ... mas tem problema de expressar! Isso que é afásico” (Tese ALT, 130).   

“eu tenho a ... a ... a ... a minha lembrança ... eu tinha dificuldade ... eh ... eu tava deprimido ... deprimido ... deprimido ... aí ... eh ... escrever ... fez ... o você falou para mim escrever um caderno e tal ... aí eu comecei a ... fazer os caderno ... tá? Dificuldade ... porque eu tinha dificuldade de ler ... eu não entendia ler ... eu não conseguia ler ... quando eu ... eu tive o acidente ... eu não conseguia ler ... eu não conseguia nada ... aí ... eu fui lendo ... fui lendo ... e fui fazendo o trabalho ... fiz três cadernos que tá com você” (Tese ALT, 100-101).   

“e esses caderno ... depois eu fui trabalhando ... né ... venceu é ... de ... a ca lição ... aí começou a melhorar ... começou a melhorar e tá melhorando ... né? Porque eu era muito orgulhoso e tal ... aí eu fiquei humilde ... então minha família é ... sente eu humilde ... mas eu falo assim: ‘mas como eu posso ser orgulhoso ... e tal ... eu não tenho di ... eu não posso fazer nada!’ ... aí ... ‘tamo falando que não ... você pode fazer ... precisa viajar’ ... tal ... aí eu comecei a ... ter esse sentimento ... tá!? Que é ... porque a gente ... a gente ... a gente perde muito ... a gente perde muito ... todos os afásicos perde muito ... dificuldade que é tem que se comunicar (...) ‘aí ... aí ... a gente sente muito" (Tese ALT, 101).  

Em Afásicos: Avaliação e Reabilitação você vai encontrar informações sobre a avaliação e a reabilitação de afásicos, sobre a equipe multidisciplinar que participa do diagnóstico e da reabilitação, sobre as características da linguagem do afásico e as diferentes formas de interação que a afasia impõe, sobre o papel da família e do grupo social e profissional do afásico em sua reabilitação.


Para saber mais, leia » Afásicos: A equipe multidisciplinar

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